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V Conferência – A CNBB informa
Há 50 anos, em 1955, foi realizada a primeira Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano (CfG), no Rio de Janeiro. Naquela mesma ocasião, também era fundado o Conselho do Episcopado Latino-Americano (CELAM). A segunda CfG aconteceu em 1968, em Medellín (Colômbia) e a terceira, em Puebla (México), em 1979. A quarta CfG foi realizada em Santo Domingo (República Dominicana), em 1992, na ocasião do 5º Centenário do início da evangelização da América.

Cada uma dessas Conferências marcou um período da evangelização no passado recente da América Latina (AL). Depois da Assembléia Especial do Sínodo dos Bispos para a América (Vaticano, 16/11 a 12/12 1997), sugiram questionamentos sobre a oportunidade de continuar realizando as CfG do Episcopado Latino-Americano, como vinha acontecendo no passado. Perguntava-se se não era mais oportuno fazer uma nova Assembléia do Sínodo dos Bispos para a América, incluindo as Conferências Episcopais (CfE) da América do Norte, ou então uma Assembléia Geral do CELAM?

Uma sondagem realizada entre os cardeais latino-americanos e os presidentes das CfE da AL e do Caribe sobre a vigência das CfG deu um resultado muito positivo, com 75% de pareceres favoráveis a esse modo de expressão colegial entre os episcopados.

Ainda em fevereiro de 2005, na reunião inter-americana das CfE, os representantes das CfE dos Estados Unidos e do Canadá manifestaram seu parecer plenamente favorável à manutenção das CfG do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, como vinha sendo feito. Ao mesmo tempo, foi assinalado que este tipo de reunião do episcopado não deveria ser visto como alternativa, ou até empecilho para a maior integração americana das Igrejas; a progressiva maturação da identidade latino-americana de nossas Igrejas deveria corresponder normalmente a uma progressiva comunhão eclesial em nível continental e universal.

A expressão colegial, que se manifesta através das CfG, está fundamentada no Concílio Vaticano II: “O mesmo poder colegial pode ser exercido, junto com o Papa, pelos Bispos dispersos por toda a terra, contanto que o Chefe do Colégio os convoque para uma ação colegial, ou ao menos aprove ou livremente aceite a ação de conjunto dos Bispos dispersos, de modo que se torne um verdadeiro ato colegial” (ChD 4; cf LG 22).

Em vez disso, o Sínodo foi concebido pelo Concílio com uma finalidade diversa: É um organismo de conselho, que o Papa convoca de maneira autônoma. “Os Bispos eleitos nas diversas regiões do mundo, nos modos e métodos estabelecidos ou a serem estabelecidos pelo Romano Pontífice, prestam ao Supremo Pastor da Igreja ajuda mais válida no Conselho que tem por nome Sínodo Episcopal” (ChD 5). O Sínodo é, por sua natureza, um organismo consultivo.

A CfG do Episcopado tem um caráter eminentemente pastoral. Os Bispos analisam a vida da Igreja em seus territórios, descobrem os aspectos positivos e negativos, identificam os problemas comuns e deliberam em comum sobre as soluções e linhas de ação pastoral, salvo sempre o direito do Bispo em sua diocese, a menos que alguns pontos importantes, a pedido da Conferência, sejam aprovados pelo Papa como obrigatórias para todos.

A definição da modalidade de reunião do Episcopado Latino-Americano e Caribenho, na forma de Conferência Geral, como já foi feito por 4 vezes, foi dada pelo próprio Papa João Paulo II no dia 27 de maio de 2004, durante a audiência concedida ao Presidente e ao Secretário Geral do CELAM. Depois de ouvir os relatos sobre a preparação da V CfG, e colocado diante das interrogações que se levantavam sobre a conveniência de mudar a forma da reunião, o Papa comunicou sua palavra de aprovação, com estas palavras: “mantenete la vostra forma” (continuem a fazer como vinham fazendo...).


Tema e método da V Conferência


Desde logo, trabalhou-se com a hipótese de ter o discipulado como tema da V CfG. As 22 CfE da AL e do Caribe foram solicitadas a se pronunciarem sobre a formulação do tema. e os principais eixos do desenvolvimento do tema sugerido.

A Presidência da CNBB constituiu em dezembro de 2004 um Grupo de Trabalho para estudar os apontamentos enviados pelo CELAM e para sugerir as respostas a serem dadas às questões postas. O Conselho Permanente, reunido em fevereiro passado, examinou as respostas sugeridas pelo Grupo de Trabalho. Esses mesmos subsídios deveriam ter sido levados à Assembléia Geral, para que todo o episcopado pudesse dar sua colaboração e enriquecer as respostas da CNBB. No entanto, a Assembléia teve que ser adiada e as respostas precisavam ser enviadas ao CELAM até 15 de abril de 2005. Assim, a contribuição da CNBB para a definição do tema e os eixos principais do desenvolvimento do tema ficaram por conta do Conselho Permanente.

Depois que a Comissão Central recolheu todas as contribuições das Conferências Episcopais, a Presidência do CELAM apresentou ao Papa as propostas de definição do tema da V CfG., antes de abril de 2005. Bento XVI, no dia 7 de julho de 2005, definiu o tema:

DISCÍPULOS E MISSIONÁRIOS DE JESUS CRISTO PARA QUE NOSSOS POVOS NELE TENHAM A VIDA

“Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14, 6).

A motivação para a escolha desse tema vem da Ecclesia in América e dos recentes Documentos Pontifícios, que colocam em destaque o tema do discipulado. Mas também vem da reflexão sobre a identidade da Igreja e de cada um dos seus membros, enquanto seguidores de Jesus Cristo, chamados à santidade, à missão e ao serviço nas atuais circunstâncias da AL e do Caribe. Trata-se também de motivar interiormente, e com vigor, a Igreja para que esteja presente com maior coerência de vida e com força na sociedade.

Os núcleos temáticos tendem a ser a perene atualidade do anúncio da Boa Nova para os povos e culturas desta parte do mundo, a identidade do cristão católico, a pertença eclesial, a proposta antropológica cristã diante dos novos desafios e a urgência de uma nova postura missionária dos católicos latino-americanos e caribenhos neste início de 3° milênio da existência da Igreja. A Igreja Católica, neste Continente, está sendo convidada a colocar-se em atitude de escuta, para “ouvir o que o Espírito diz às Igrejas”, e de discernimento, para “desentranhar a vox Dei na vox temporis.

Deseja o CELAM que o método de preparação da V CfG seja semelhante ao que foi usado na preparação da Conferência de Puebla; é desejada uma participação envolvente das comunidades e das organizações eclesiais “na base”. Isso vai depender das CfE e das dioceses, que serão os principais atores na preparação da Conferência. Os Delegados à V CfG, a serem escolhidos pelas CfE, serão portadores de propostas já refletidas pelas comunidades diocesanas e Igrejas locais.

A participação ampla das “bases eclesiais” é vista como parte do processo de realização da V CfG. Por isso, podemos afirmar que a V Conferência, de fato, já começou. E não terminará com a realização da Assembléia dos Delegados e com o Documento final: prevê-se que haverá uma etapa posterior, que novamente envolverá as “bases eclesiais”. Esta metodologia fica mais clara na exposição sobre as etapas previstas para a realização da V CfG.


Etapas na preparação e realização da V Conferência


a) Em fevereiro de 2004, em Puebla (México), ao mesmo tempo que comemoravam os 25 anos da Conferência de Puebla, os Presidentes das CfE, juntamente com Cardeais Latino-Americanos e Caribenhos, trataram da realização da V CfG. Ao mesmo tempo, era escolhido o “pré-tema” do discipulado e constituída uma Comissão Central de preparação da V Conferência. Pelo Brasil, o Cardeal Dom Cláudio Hummes faz parte dessa Comissão Central.

b) Depois disso, o CELAM promoveu 4 reuniões regionais de Presidentes e Secretários Gerais das CfE (Cone Sul, Países Bolivarianos, América Central com o México e Países do Caribe e Antilhas), para a reflexão sobre os elementos essenciais de um possível texto preparatório: Desafios atuais da evangelização; principais núcleos temáticos que deverão orientar as reflexões; metodologia e cronologia da preparação do evento.

c) De posse desses elementos, a Comissão Central fez um primeiro esboço de Texto Preparatório, que foi encaminhado em novembro de 2204 a todas as CfE da AL e do Caribe, para a apreciação e enriquecimento. O CELAM queria submeter ao Papa, até meados de abril, uma proposta bem elaborada de tema, com um esboço para o seu desenvolvimento e o método de trabalho da V CfG. No início de abril, porém sobreveio o falecimento de João Paulo II e tudo ficou em suspenso, à espera de conhecer as decisões do novo papa a respeito da V CfG.

d) Nos dias 17 a 20 de maio de 2005 foi realizada a XXX Assembléia Geral Ordinária do CELAM, em Lima, comemorando os 50 anos de fundação desse Organismo. Bento XVI confirmou todos os encaminhamentos feitos até aquele momento mas, na ocasião, ainda não convocou a V CfG nem definiu o tema, a data e o lugar de sua realização. No dia 7 de julho passado, no entanto, o tema já foi definido, como foi dito acima.

e) A época provável de realização da V CfG é fevereiro de 2007; o lugar, até agora, também ainda não está confirmado, mas é certo que se deseja realizar a Conferência com a participação do Papa. Isto vai condicionar, certamente, a escolha do local. Segundo informações do CELAM, é provável que a data e o lugar serão definidos em outubro, durante o Sínodo, com a presença dos delegados latino-americanos no sínodo.

f) Em julho de 2005, a Presidência do CELAM e a Comissão Central estiveram reunidas para examinar o projeto do DOCUMENTO DE PARTICIPAÇÃO (DP), que deverá ser trabalhado com a participação ampla das “bases eclesiais” (dioceses, paróquias, associações laicais, movimentos, pastorais, Conferências e Comunidades religiosas, Centros de Estudos, outros organismos e organizações eclesiais) em cada país. O CELAM espera poder enviar o DP às CfE em setembro.

g) O resultado da participação das “bases eclesiais” será recolhido pelas Conferências Episcopais e encaminhado à Comissão Central. Em agosto de 2006 deverá ser redigido o DOCUMENTO DE SÍNTESE (DS) de todas as propostas vindas das CfE.

h) O DS, sobre o qual deverá trabalhar a V CfG, será enviado aos Bispos escolhidos pelas CfE, como Delegados à V CfG.

i) O CELAM também prevê a realização de diversos eventos eclesiais, como parte do processo de preparação da V CfG: 1. a XXX Assembléia Geral dop CELAM, já realizada em maio passado, em Lima; 2. diversos encontros (por exemplo, com dirigentes de movimentos eclesiais e de novas comunidades), em Bogotá; 3. um Congresso de teologia e pastoral mariana, em Aparecida. Para depois da Conferência, está projetado um grande Congresso Missionário, em Quito (COMLA, POM, CELAM).

j) Os Organismos eclesiais latino-americanos (CLAR, CIEC, OSLAM, CLAT, etc) serão convidados a participar, quer estimulando os membros de suas instituições a integrarem-se ativamente nas reflexões do povo de Deus, nas “bases eclesiais”, quer pedindo a esses Organismos a apresentação de propostas qualificadas e específicas.

l) Prevê-se que em maio de 2007, na XXXI Assembléia Geral do CELAM, seja elaborado um novo Plano Global Quadrienal (2007-2011) para o CELAM; desde já se projeta, como etapa posterior, mas sendo parte integrante da V CfG, a realização de uma grande “Missão Continental” em toda a área da AL, Caribe e Antilhas, com a preparação de equipes missionárias, subsídios e propostas para a realização de missões nas CfE e dioceses.


A participação das CfE e Igrejas Particulares


Embora os Organismos do CELAM tenham um papel importante na organização da V CfG, a preparação desta, de fato, dependerá sobretudo das CfE e das dioceses. A sua participação será pedida especialmente a partir de agosto de 2005, quando as CfE receberão o DP e o repassarão às dioceses. Espera-se que as dioceses, de posse desse Documento, possam trabalhá-lo intensamente e oferecer suas contribuições.

Cada CfE também poderá realizar encontros (seminários, simpósios, jornadas, romarias...), em nível nacional ou regional, com a motivação apresentada pelos diversos temas vinculados à temática central da V CfG.

As próprias CfE estarão encarregadas de definir o método mais adequado para conseguir a participação ampla e o envolvimento do Povo de Deus na V CfG.

Cada CfE também deve constituir uma Comissão Episcopal com a tarefa específica de motivar, animar e acompanhar a preparação da V CfG. Os Delegados das CfE junto ao CELAM e os Secretários Gerais deveriam, normalmente, integrar essa Comissão. Finalmente, as próprias CfE deverão recolher e encaminhar ao CELAM, antes de agosto de 2006, os frutos de todas essas contribuições.


Participantes da V Conferência


Ainda não há definição exata sobre este ponto, mas apenas estimativas, com base à praxe adotada nas CfG anteriores. Seriam aproximadamente 15% dos membros de cada CfE, somando cerca de 300 bispos. De toda maneira, isso ainda está por ser definido melhor.

Os Delegados para a V CfG deverão ser eleitos pela CNBB na Assembléia Geral de 2006.


Financiamento da V Conferência


O CELAM prevê obter o financiamento para a realização da V CfG de 6 fontes: do próprio CELAM, da CAL, dos Organismos de ajuda internacional (ADVENIAT, MISEREOR, Kirche in Not, Conferência Episcopal EUA, etc), de dioceses e fundações européias, de publicações do CELAM relativas à V CfG.

Das próprias CfE é esperada uma pequena ajuda, que poderá ser a cobertura das passagens dos seus delegados para a V CfG.


Conclusão


A preparação da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e Caribenho já teve início e, a partir de agora, nos envolve mais diretamente. Certamente será um período muito rico de iniciativas eclesiais, que poderá deixar marcas profunda na evangelização de nossos povos.

Em vista do envolvimento mais amplo da Igreja no Brasil neste processo de preparação da Conferência, penso que a primeira questão a ser resolvida pela CNBB é a formação de uma Comissão Episcopal para incentivar, orientar e acompanhar todo o processo de preparação, no Brasil. E seria muito importante se essa Comissão pudesse ser formada já durante esta Assembléia Geral

Outras Informações sobre a V Conferência poderão ser obtidas diretamente no CELAM, nos portais: www.celam.org; ou www.celam.info.


Itaici, 15 de agosto de 2005.
Dom Odilo Pedro Scherer
Bispo Auxiliar de São Paulo
Secretário Geral da CNBB
Fonte: www.cnbb.org.br